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sábado, 20 de fevereiro de 2016

Oscar 2016: A beleza brutal de "O Regresso"

Guilherme Haas


Em Birdman, filme vencedor do Oscar no ano passado, o diretor Alejandro G. Iñárritu teceu uma história sobre os bastidores da Broadway (e da cultura da fama nos Estados Unidos) com incrível habilidade, construindo toda a narrativa como um único plano-sequência. A impressão da ausência de cortes amplificou a tensão do enredo, acompanhando a jornada de loucura de um ator em uma peça de teatro.

Em O Regresso, Iñárritu volta a demonstrar técnicas incríveis de realização, deixando sua câmera rodar por longos planos entre batalhas, ataques de urso, perseguições a cavalo e outras adversidades de um mundo selvagem. O cineasta tem um olhar como poucos; o diretor cria enquadramentos belíssimos e impactantes, seja em sequências de ação, em imagens mais intimistas ou até mesmo simbólicas.

O longa começa com um ataque de nativos americanos a uma equipe de caçadores de pele e couro que exploram a região da Louisiana. Iñárritu passeia com sua câmera entre as entranhas desse confronto, estabelecendo em grandes planos todo o cenário da ação. Mesmo na brutalidade da guerra, o diretor registra cenas bonitas e de encher os olhos, deixando sua assinatura em cada frame.

A trama do filme é, na verdade, bastante simples: o enredo acompanha a busca de vingança do personagem Hugh Glass (uma figura real), que foi deixado para morrer por sua equipe depois de sofrer um violento ataque de um urso. Na pele do explorador, Leonardo DiCaprio passa por diversas adversidades ao longo da narrativa, e é a presença do astro – em um papel que deve finalmente lhe render o Oscar – que prende os espectadores nessa jornada.

Há uma perfeita sintonia entre a interpretação visceral de DiCaprio e as lentes de Iñárritu. Muito se falou sobre as dificuldades enfrentadas pela produção nos bastidores, incluindo rusgas entre o astro e seu diretor, mas como disse Iñárritu em seu recentemente agradecimento de vitória no Globo de Ouro: “o cansaço é temporário, já o filme fica para sempre”.

Certamente, O Regresso é uma obra máxima, um feito notável e uma realização cinematográfica incrível. É possível que a temática selvagem, com uma trama que se passa nos anos 1820 em um ambiente inóspito, possa assustar o grande público. O longa tem mesmo um acabamento mais artístico do que a maioria das produções, o que deve ser levado em conta pelos espectadores que cogiram pegar uma sessão. Quem assistir, porém, deve se deslumbrar com a técnica e com a beleza brutal de O Regresso.

Fonte: Minha série

Indicações ao Oscar 2016:

> Melhor filme
> Melhor ator
> Melhor diretor
> Melhor design de produção
> Melhor fotografia
> Melhor figurino
> Melhores efeitos especiais
> Melhor montagem
> Melhor ator coadjuvante
> Melhor edição de som
> Melhor mixagem
> Melhor cabelo e maquiagem


domingo, 3 de fevereiro de 2013

Oscar 2013 - Spielberg tira fantasma de Lincoln do mármore



Otávio Frias Filho

Abraham Lincoln se elegeu presidente dos Estados Unidos em 1860 no auge do impasse entre o Norte capitalista e o Sul escravocrata. A questão era definir se o trabalho escravo seria permitido nos imensos territórios do Meio-Oeste, que logo se tornariam novos Estados.

Apesar de abolicionista, Lincoln foi eleito graças a uma plataforma moderada. Pretendia manter a escravidão no Sul, onde ela sustentava a economia local (fumo, algodão e açúcar), e vedá-la nos novos Estados. Essa proibição localizada, no entanto, foi vista pelo Sul como quebra inaceitável da autonomia estadual. A vitória de Lincoln deflagrou a secessão.

Entre a eleição e a posse, sete (logo seriam 11) dos então 33 Estados se desligaram da União. Embora houvesse, nos escritos dos fundadores da República, referências ao caráter indissolúvel da União, a Constituição silenciava a este respeito.

A rigor, o Sul exercia direito comparável ao reclamado pelas 13 Colônias quando, na solene Declaração de 1776, anunciaram seu desligamento da Coroa inglesa para criar os Estados Unidos.

Lincoln tomou a mais controvertida e crucial das decisões, impedir a secessão pela força, o que precipitou a Guerra Civil (1861-65) e acarretaria a abolição no país inteiro.

A população do Norte era o dobro da do Sul e sua capacidade industrial várias vezes maior -a vitória parecia questão de (pouco) tempo.

Enquanto Lincoln era enredado por generais hesitantes, porém, o Sul mostrou uma disposição aguerrida capaz de manter seu exército na dianteira em toda a primeira metade de guerra, que se arrastou por cinco anos. Numa nação de 31 milhões (4 milhões de cativos), morreram 600 mil soldados, o dobro das perdas americanas na Segunda Guerra Mundial.

Em 1863, quando a maré da guerra começava a virar, Lincoln emitiu uma proclamação que libertava escravos nos Estados sublevados, outra decisão de legalidade duvidosa, adotada a pretexto de "necessidade militar", já que os cativos eram usados pela logística do exército sulista.

Em 1865, depois de reeleito por ampla maioria e às vésperas da rendição do Sul devastado, Lincoln aprovou na Câmara a 13ª Emenda à Constituição, que abolia a escravidão em definitivo.

Tomada em retrospectiva, a história tem um apelo épico inigualável -o "self-made man" predestinado a ser presidente e vencer uma guerra em que o bem e o mal surgem claramente definidos, a fim de extirpar a infâmia da escravatura e estender a mão, vitorioso, aos derrotados.

AURA MITOLÓGICA

Com o desfecho do assassinato, em que o próprio presidente era oferecido como arremate do imenso holocausto, a figura de Lincoln foi alçada à máxima santidade, envolta numa densa aura mitológica composta por sedimentos crescentes de histórias, biografias, currículos escolares, poemas, canções, peças teatrais, filmes etc.

O êxito moral da emancipação soterrou as complexidades do drama.

Havia propostas de emancipação gradual; teria sido evitável a guerra? Sem ela, parece plausível que mais cedo ou mais tarde o Sul se reintegrasse à União. Além da questão principal, o Sul alegava as tarifas protecionistas do Norte, que exauriam sua economia ao obrigá-lo a comprar caro, como causa da separação.

Sua derrota arrasadora fomentou o ressentimento racial que seria a sina do país.

E, sob certo ângulo, a vitória do Norte foi mais um capítulo, como escreveu o crítico Edmund Wilson ("Patriotic Gore", Sangueira Patriótica, 1962), na ascensão imperial, guerra após guerra, de um capitalismo sem freios garantido pela maior máquina militar da História.

Mas a personalidade de Lincoln -mais do que a determinação e a habilidade do estadista, seus gestos de simpatia magnânima, a singeleza filosófica de suas anedotas, a qualidade literária de seus discursos, o senso de humor nos piores momentos- dissolve todo questionamento e revitaliza o mito a cada geração.

"KITSCH"

Em "Lincoln" (2012), Steven Spielberg parece abordar esse imponente monumento simbólico com cautela. De tão trafegado, o mito também se desgastou -ou foi recoberto por uma pátina "kitsch" de cafonice americana que o cineasta procura afastar como pode. Essa preocupação é glosada nas cenas iniciais, quando Lincoln só aparece de costas, como Cristo nos filmes antigos.

Dois dos criadores do cinema americano fizeram filmes sobre o personagem, com resultados desiguais. O de D.W. Griffith ("Abraham Lincoln", 1930) é uma galeria patriótica de cenas célebres; o resultado hoje parece tosco e previsível demais. Nada ilustra melhor o gigantesco salto narrativo e técnico do cinema americano do que compará-lo ao filme de John Ford ("A Mocidade de Lincoln", 1939).

Este focaliza um episódio da juventude, em que o então advogado interiorano evita o linchamento de um cliente e prova em juízo sua inocência num assassinato. Henry Fonda instila flexibilidade e leveza em seu Lincoln ainda matuto, mas já clarividente. Presos ao mármore do mito, os dois filmes terminam com grandiloquentes tomadas do monumento ao presidente-mártir em Washington.

Exceto pela música algo lamentosa, sobrou pouco daquela pátina endurecida no filme de Spielberg, e nada das peripécias de tantos de seus filmes anteriores.

Aqui predomina um diálogo vivo e espesso; quase toda a cena acontece em sombrios ambientes domésticos com os personagens envoltos por cobertores e fumaça na umidade gélida de Washington, a câmera tirando um elegante efeito claro-escuro do contraste com a luz (emancipatória?) das vidraças.

O roteiro, do dramaturgo Tony Kushner, foi baseado em mais uma torrencial biografia política de Lincoln, "Team of Rivals" ("Time de Rivais", 2005, de Doris Kearns Goodwin). O filme se concentra na aprovação da 13ª Emenda, episódio decisivo, mas que ocupa poucas páginas no final do livro.

Fragmentos de seu imenso teor narrativo foram introduzidos com destreza ao longo da película, que gira em torno do dilema -aguçado para efeitos dramáticos- entre apressar o fim da guerra ou o da escravidão.

Não é um filme memorável nem espetacular, mas persuasivo em sua sóbria seriedade. Maquiado como um cadáver, Daniel Day-Lewis compõe um símile fantasmagórico, quase embalsamado, mas seu Lincoln exala ao mesmo tempo uma familiaridade, acentuada pela dissonância do timbre agudo da voz, que evoca e supera o ancestral encarnado por Henry Fonda.



segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Longa-metragem baseado em contos de Edgar Allan Poe é produzido em São Carlos



Oinos (Lucas Melges), Sara (Luiza Martins) e o demônio (Antonio Alves) em
uma das cenas de "Silêncio e Sombra" (Foto: Larissa Colucci)

Sidnei Moura

Baseado em obra do intrigante escritor americano e gênio do suspense Edgar Allan Poe, “Silêncio e Sombra” é um longa-metragem que está sendo produzido em São Carlos - SP  sob direção de Roberto Maddallena, que também assina o roteiro. Como Maddallena define, “Silêncio e Sombra” não será um filme  de terror (característica que geralmente predomina nos filmes baseados em obras de Poe e que povoa o imaginário coletivo) mas “uma ficção-científica intimista tendo a morte e os sentimentos humanos relacionados a ela como temas”.

O roteiro tem como pano de fundo uma pandemia viral apelidada de “Gripe Venezuelana”, que espalha o caos no mundo de 2017. Neste cenário, os personagens Sara (Luiza Martins) e Oinos (Lucas Melges) conduzem a trama entremeada de rompimentos, falsos pregadores, sombras e almas, demônios que aparecem em sonhos, parentes e amigos que encontram a morte, enquanto se refugiam nas lembranças e numa casa de campo.

Ainda segundo Maddallena, o filme se caracterizará como “Cult”, “quase de arte”  e irá na contramão do atual cinema brasileiro, que ele define como “especializado  em comédias do estilo televisão e violência social”. Trata-se da estreia de Maddallena na direção de um longa-metragem como também dos atores que compõem o elenco e equipe técnica, e sua produção é absolutamente independente. Para tanto, Maddallena tem como inspiração  produções independentes que foram  bem-sucedidas tanto de público como de crítica e conquistaram prêmios importantes, tais como  “El Mariachi” (que custou apenas 7 mil dólares), o uruguaio “A Casa” (6 mil dólares) ,o brasileiro “Apenas o Fim” (8 mil reais), e o filme que marcou a estréia de Nolan no cinema, “Following” (6 mil dólares).

As gravações estão sendo realizadas em diferentes locações da cidade, entre elas uma igreja, um galpão centenário da cidade e em um cemitério, onde algumas das cenas de maior impacto e suspense já foram gravadas. A finalização e montagem esta prevista para abril/maio de 2013, quando então o longa participará de festivais nacionais e internacionais, e em seguida será lançado comercialmente em todo o Brasil, ocasião em que entrará no circuito nacional de cinemas para ser exibido ao público.

Silêncio e Sombra tem a direção e roteiro de Roberto Maddallena e direção de fotografia  de Larissa Colucci.


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Oscar 2013 já tem um vencedor: Michael Haneke



Filme "Amor" recebe cinco indicações, após dar ao diretor austríaco sua segunda Palma de Ouro em Cannes

O cineasta austríaco Michael Haneke
Rogério Simões

Muito já se fala sobre as 12 indicações ao Oscar obtidas por Lincoln, de Steven Spielberg. Todas esperadas. Se há alguma surpresa e motivo de celebração no anúncio feito pela Academia nesta quinta-feira, é o reconhecimento por Hollywood de um dos maiores diretores vivos. Menos de um ano depois de receber a Palma de Ouro em Cannes, o austríaco Michael Haneke levou seu mais recente filme, Amor, ao centro da disputa pelo Oscar. Amor, uma co-produção austríaca, alemã e francesa falada em francês, recebeu nada menos que cinco indicações, incluindo melhor filme, melhor filme estrangeiro e melhor atriz (Emmanuelle Riva). Haneke foi pessoalmente indicado aos prêmios de melhor diretor – que não conta com os antes favoritos Ben Affleck e Kathryn Bigelow – e de melhor roteiro original. Acima das expectativas, mas não da qualidade desse grande cineasta.

Michael Haneke é uma força que tomou de assalto o cinema mundial na virada do século. Aos 70 anos, ele é responsável por uma produção pequena para sua idade, mas extensa em riqueza e impacto. Nenhum de seus 11 filmes se encaixa em categorias tradicionais ou pode receber adjetivos previsíveis sem que tais descrições sejam questionadas – especialmente pelo próprio autor. Haneke já tratou das difíceis relações entre franceses e argelinos, da falta de sentido na vida de uma típica família de classe média-alta, da polêmica história alemã no início do século XX, de uma pianista sadomasoquista e do fim do mundo. Em comum, está o efeito perturbador de seus filmes. Difícil sair de uma obra de Haneke com as pernas firmes, o pensamento claro e o peito leve. O objetivo do austríaco é incomodar e transformar o espectador. Isso sem entregar respostas às naturais perguntas que nascem de suas tramas. Quem matou? Por quê? Qual a relação entre aqueles dois personagens? Haneke evita soluções fáceis. Quer que o público tire suas próprias conclusões, a partir de suas mentes em estado de ebulição, indignação e dúvidas. O cinema de Michael Haneke é como a vida: muito rico e emocionante, mas não é fácil.

Em Amor, o incômodo proposto por Haneke é universal. Ao tratar de forma dura e explícita as dificuldades do envelhecimento humano, Haneke propõe atingir o público a partir da perspectiva de sofrimento futuro – de um parente ou da própria pessoa. Extremas, as situações apresentadas por Haneke em seus filmes tocam o espectador por sugerir uma possibilidade de dor ou medo. A perversa automutilação da personagem de Isabelle Huppert, em A Professora de Piano (2001), a ausência de civilidade diante do apocalípse em O Tempo do Lobo (2003) e as humilhações exibidas em A Fita Branca (2009) nos assustam e intimidam. A tortura sádica, injustificável e sem sentido de Violência Gratuita (1997 e 2008) nos lembra da capacidade destruidora do ser humano e de como ela pode, facilmente, se aproximar de nós. A decisão de Haneke de refilmar Violência Gratuita nos Estados Unidos, 11 anos depois da sua produção original na Alemanha, causou repulsa em muitos que já haviam se sentido perturbados pela primeira versão. Levar a história ao público americano, em inglês, com Naomi Watts e Tim Roth nos papeis principais, foi uma forma de Haneke dizer a todos: o horror inexplicável pode estar mais próximo do que imaginamos. “Há tanto mal quanto bem em todos nós”, disse ele ao jornal The Guardian, em 2009.

Michael Haneke começou tarde no cinema. Depois de estudar filosofia e psicologia e trabalhar como diretor de programas de TV, lançou seu primeiro filme, O Sétimo Continente (1989), aos 47 anos. De lá para cá, já venceu a Palma de Ouro de Cannes duas vezes (com A Fita Branca e Amor) e colecionou inúmeros outros prêmios ao redor do planeta. A Fita Branca, também vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, só não levou o Oscar em 2010 porque encontrou pela frente o excepcional argentino O Segredo dos Seus Olhos. Agora o Oscar rende-se a Haneke e o coloca em seu devido lugar: no topo do cinema mundial. Esse gênio austríaco caminha para ser reconhecido como a maior força criativa do cinema no século XXI.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

"Os fantásticos livros voadores" é disponibilizado na integra na internet


O site Galleycat pôs no ar a versão integral (cerca de 15 minutos) do curta de animação que ganhou o Oscar ontem à noite, The fantastic flying books of Mr. Morris Lessmore (Os fantásticos livros voadores do Sr. Morris Lessmore, nome próprio que contém um trocadilho intraduzível, algo como “Maisé Menosmais”).

Essa declaração de amor ao livro de papel começa com um furacão que arranca todas as casas de seus alicerces e todas as palavras das páginas impressas, metáfora óbvia da onda digital. Mudo, o filmete é escrito e codirigido pelo ex-animador da Pixar William Joyce e mistura técnicas (stop-motion, animação computadorizada e desenho) para produzir uma bonita homenagem aos livros físicos.

Embora ameace derrapar aqui e ali (personagens em preto e branco ganham cor ao ter contato com livros, por exemplo), o curta consegue no fim das contas driblar a maior parte dos lugares-comuns associados ao tema. Destaque para o momento em que, na mesa de operação, o velho tomo carcomido em francês tem uma parada cardíaca e só ressuscita quando o Sr. Lessmore começa a… lê-lo!

Um tom profundamente nostálgico perpassa o filme, da música à direção de arte, e é condizente com uma cerimônia do Oscar em que o grande premiado foi “O artista”, mas tem algo de enganador. Além de render um curta de animação, a história de The fantastic flying books… foi lançada ano passado como um livro digital interativo para iPad que chegou ao primeiro lugar entre os mais vendidos na loja da Apple.

Fonte: Toda prosa - Veja Online

Assista o curta:

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Oscar, nostalgia e crise de identidade


Luiz Zanin

A invenção de Hugo Cabret
Quem ganha o Oscar? O filme francês que homenageia o cinema americano ou o filme americano que homenageia o cinema francês? Claro, sempre pode haver zebra. Mas o mais provável é que um dos dois, ou O Artista (dez indicações) ou A Invenção de Hugo Cabret (11 indicações) leve o Oscar principal na noite de hoje.

Se isso acontecer mesmo, tudo seguirá um script coerente, mas que indica, talvez, a existência de algo mais profundo sob a banalidade da superfície. Qual seria esse ponto comum? Os dois filmes falam, por caminhos e estilos diversos, da mesma coisa. Celebram o cinema, ou pelo menos, um tipo de cinema. E o fato de serem os grandes finalistas talvez aponte para uma crise de identidade nessa arte já mais que centenária. A Academia de Hollywood, uma espécie de termômetro ou inconsciente coletivo do cinema, em sua vertente dominante, pode ter intuído o que esses filmes têm de comum, e os levado até o fim da disputa como os favoritos por representarem suas próprias inquietações enquanto categoria. De comemoração superficial da indústria cinematográfica, o Oscar 2012 arrisca-se a ser, involuntariamente, reflexão sobre a sua arte.

Como se sabe, O Artista se situa no momento preciso da crise aberta pela chegada do cinema falado, entre o final dos anos 1920 e o começo dos anos 1930. Invenção que abre muitas portas e fechou outras. A partir de O Cantor de Jazz (1928), o público acostuma-se com o cinema falado e relega o cinema mudo à obsolescência. Astros, estrelas, diretores, técnicos e produtores são obrigados a se reciclar. É uma revolução. Alguns conseguem fazer a travessia, outros ficam pelo caminho. Um gênio como Charlie Chaplin hesita e posterga, o quanto pode, a entrada no falado. Ao fazê-lo, como num rito de sacrifício, vê-se obrigado a matar sua persona mais famosa e seu alter ego mais querido, Carlitos. É desse tempo em convulsão que fala O Artista, de Michel Hazanavicius.

Não é a primeira vez que o cinema aborda esse período crucial e cruel de sua história. Dois filmes já o fizeram, com brilho: Crepúsculo dos Deuses (1950), de Billy Wilder, e Cantando na Chuva (1952), da dupla Stanley Donen-Gene Kelly.

Ambos são filmes da crise, porém expressos em tonalidades diferentes. Em seu furioso preto e branco, Wilder aposta na chave mais soturna; em suas cores profusas, música e dança, o de Gene Kelly é luz total. O musical de quem não suporta musicais. Por tudo isso, por certo, fez mais sucesso de público que seu concorrente em preto e branco. Mas, em linguagens opostas, ambos significaram a mesma meditação sobre o cinema em determinado momento.

Ambos, é verdade, se referem à transição do cinema mudo para o falado, mas foram feitos em outro momento crucial, quando a televisão se firmava como a grande geradora moderna de entretenimento e ameaçava, de novo, o cinema. A TV era a promessa de uma tela em cada casa, para cada família, para cada indivíduo. Adeus ao rito coletivo das grandes e luxuosas salas de cinema. Pelo menos era o que se pensava na época.

Se o futuro não foi tão sombrio, é verdade também que o espetáculo cinematográfico nunca foi o mesmo. Progressivamente foi se alterando para se realizar não apenas na sua destinação primeira e “natural”, a grande sala, mas também nas “pequenas salas” individuais, nos lares e, hoje, nas telas dos laptops, dos tablets, dos celulares, dos smartphones. Víamos os grandes astros e estrelas na dimensão de gigantes assustadores e sedutores, tais como aquela deusa vivida por Anita Ekberg que sai do painel de anúncio de leite para tentar o falso puritano em As Tentações do Doutor Antônio, de Federico Fellini. Hoje, podemos vê-los na dimensão de formigas. E conviver com eles no trem, no metrô, no avião, num momento de tédio na sala de espera do dentista. Haverá aura que resista a tanta banalidade e a tanta familiaridade?

Outros cineastas também o fizeram, em épocas mais recentes, a meditação sobre sua arte.  Em seu grande momento de crise pessoal, Fellini transforma a inibição em sua maior obra-prima, Oito e Meio (1963), ao fazer do seu alterego Guido Anselmi (Marcello Mastroianni) o cineasta que não consegue terminar seu projeto e nem dá conta de arrumar sua vida – a não ser projetando a ambos no mundo da fantasia. É o mais belo filme sobre o impasse jamais feito e uma homenagem crítica ao cinema como este nunca recebeu.
Em sua chave mais discreta, François Truffaut faz o seu Oito e Meio em A Noite Americana (1973), fazendo ele próprio o papel do diretor que enfrenta todas as dificuldades, inclusive o estrelismo da atriz principal (Jacqueline Bisset), que ameaça parar a produção ao se envolver com o partner, Jean-Pierre Léaud, alter ego de Truffaut nos seus filmes mais importantes, a partir de Os Incompreendidos (1959), seu longa-metragem de estreia.

Claro, nos dois projetos, havia o desejo manifesto de exorcismo de inibições pessoais e também a vontade de homenagem ao métier que haviam abraçado. Mas também assinalava outra dimensão. Saídos os dois de duas utopias autorais, Fellini do neorrealismo, Truffaut da nouvelle vague, viam-se obrigados a negociar seus desejos e estilos com a figura do produtor, que transforma os sonhos pessoais do artista na realidade econômica da arte. Ambos provaram que essa negociação era possível (pelo menos naquele tempo), embora dolorida e cheia de contradições. Convém não esquecer que um gênio como Fellini terminou tendo dificuldades para viabilizar suas produções. Alguns dos seus projetos não foram feitos, um pecado que a Itália deverá purgar até o fim dos tempos.

O cinema é a última das artes a representar-se a si mesmo. Outra, mais antigas, já o fizeram, e em obras célebres. Na peça dentro da peça, Hamlet faz o rei perceber que sabe tudo sobre o assassinato do pai. O teatro dentro do teatro revela. Ao glosar os romances de cavalaria e, em especial, ao se parodiar, o Quixote inaugura a literatura moderna como referência de si mesma. Ao colocar-se no centro do seu quadro Las Meninas, Diego Velázquez indica uma era em que o artista seria mais central que o soberano.  Inicia, em especial, a era da representação, segundo análise de Michel Foucault em seu As Palavras e as Coisas. A era moderna, na qual não se indicam as coisas em si, mas através daquilo que as representam. A era do espelho. Em O Jogo da Amarelinha, Cortázar faz a literatura, autoconsciente, voltar-se contra si mesma no ato de produzir o novo. Como o escorpião, que, para se suicidar, pica a si mesmo, conforme diz na epígrafe.

De certa forma, o cinema, a última das artes, como todas as outras, reencontra-se e repensa seu caminho quando encena a si próprio nas telas. É como se fosse um momento de tomada de consciência, de pausa para respiração no ritmo industrial que o caracteriza e o deforma.

Filho da técnica, o cinema encontrou na indústria seu veículo natural. Mas encontrou também a sua negação potencial como arte. Nascido como entretenimento de feira de variedades, foi renegado pelos próprios pais, os Lumière, que o classificaram como “invenção sem futuro”. Foi preciso um visionário, um ilusionista de profissão, George Méliès, para enxergar no cinema um meio ficcional virtualmente ilimitado, porque capaz de captar o movimento – isto é, o tempo.

E nesse ponto voltamos à Invenção de Hugo Cabret, que aparece como consequência lógica de toda a trajetória de Martin Scorsese. Esse erudito sem par do cinema contemporâneo, conhecedor de sua história e de seus meandros, homem que, da mesma maneira que Truffaut, considerou-se salvo pelo cinema quando talvez pudesse ter se tornado marginal por seu meio social na infância, retorna ao primeiro inventor dessa grande arte. Trata a precariedade engenhosa dos primeiros filmes de Méliès com os requintes tecnológicos de que agora dispõe. Como se quisesse, neste belo e singelo filme, juntar as duas pontas da história do cinema e dizer que, sim, apesar dos pesares, ele tem salvação. Desde que não renegue suas origens.

Talvez não seja mesmo por acaso que os dois maiores concorrentes ao Oscar comentem e celebrem o cinema dos primórdios. Como se fossem tentativas de recuperar alguma coisa desse sopro inicial, do frescor de uma arte que, apesar de tantos progressos técnicos, como o digital e o 3D, dá mostras de cansaço inequívoco quando visto em seu conjunto. Nesse retorno às fontes, há provavelmente um desejo de recuperar energia. Quando o cinema se vê a si mesmo, é sinal de crise. E também de vontade de renascer.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Meia-Noite em París "é tudo o que desejávamos e muito mais"


Woody Allen, Olwen Wilson e  Marion Cottilard

Diogo de Jesus Moreira Cysne

Dos muitos adjetivos usados para descrever Woody Allen – neurótico, engraçado, pessimista, fatalista – um dos que mais se encaixam em sua carreira não poderia ser outro: prolífico. Com uns sabe-lá-deus quantos filmes no currículo, que cresce a uma taxa de um ou dois filmes por ano, Woody Allen é um diretor que, sozinho, foi responsável por mais filmes do que muitos estúdios. É claro que um ritmo de produção tão frenético foi acompanhado de uma inevitável irregularidade na qualidade de suas produções. Se, por um lado, temos obras-primas poderosas como “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” e pequenas jóias como “Match Point”, temos também produções muito frustrantes como “Scoop” e “Você vai conhecer o homem dos seus sonhos”. De qualquer forma, nos últimos anos, o público sentia certa falta da genialidade rebelde e pulsante que tornou o diretor uma estrela global nos anos 70. Uma ótima notícia a todos: “Meia-Noite em Paris” é tudo que desejávamos e muito mais. Talvez uma de suas obras mais poderosas, singelas e tocantes. Brilhantemente escrito e dirigido, repleto de um humor doce e de uma tenra inocência, este filme marca mais um dos pontos mais altos na carreira de seu famigerado cineasta.

Difícil não se encantar com a obra logo de início, quando nos são apresentadas várias cenas de Paris ao decorrer do dia, ao som de uma canção tipicamente francesa. O público é lentamente transportado para o clima da cidade mais charmosa do mundo e é conectado às idéias de Gil Pender (Owen Wilson), um bem-sucedido mas profissionalmente frustrado roteirista de Hollywood, cujo maior sonho é abandonar a superficialidade de sua vida e mergulhar no mundo bucólico, romântico e inspirado de Paris. Em noivado com Inez, representada pela estonteante Rachel McAdams, Gil vê todas as suas aspirações serem tragadas pela objetividade e materialismo da noiva. Buscando um refúgio em longas caminhadas noturnas pela Cidade das Luzes, Gil descobre que, toda meia-noite, Paris volta ao passado e ele pode viver a época que mais sonhava em conhecer na cidade: a década de 20.

Essa premissa genial do roteiro é típica da mente rebelde e faceira de Woody Allen. Mas todo o resto é igualmente poderoso e criativo, e Allen explora seus personagens de modo a render situações ao mesmo tempo hilárias e tocantes. Tudo – e aqui eu sou bem literal – funciona magnificamente neste roteiro inspiradíssimo. O retrato da vida de Gil com sua noiva e a família dela é cômico e angustiante: sentimos pena de um homem tão honestamente delicado e idealista se envolvendo com um pessoal tão, na melhor das descrições, supérfluo. O círculo de amigos de Inez é outra jóia do humor, com o pedante sabe-tudo Paul gerando constantes risadas da platéia devido à sua personalidade absurdamente afetada (pseudo-intelectual, como diria um aborrecido Gil).

Mas não tem jeito: a riqueza-mor do roteiro e de seus personagens jaz na Paris à meia-noite, quando o protagonista é levado ao passado e vivencia aventuras inesquecíveis ao lado de seus ídolos artistas: Scott Fitzgerald, T. S. Eliot, Salvador Dáli (cuja obsessão por rinocerontes foi motivo de profundas gargalhadas da platéia), Pablo Picasso e tantos outros. O encontro de Pender com seus ídolos, bem como o seu mais do que natural estarrecimento, é impagável! Woody Allen, um artista sincero, despeja referências infindáveis ao “ressuscitar” os grandes mestres da pintura, literatura e cinema da década de 20. Não se preocupe: dificilmente haverá alguém que entenda todas elas – ou mesmo que reconheça todos os artistas – mas a graça de toda a história é o suficiente para despertar no público a certeza de que o filme que está assistindo é uma experiência verdadeiramente enriquecedora.

Allen aproveita seu tino humorístico também para cutucar muitas das imbecilidades típicas da sociedade norte-americana (que é incorporada, aliás, em Inez e companhia). Críticas ao partido republicano, ao recente frenesi direitista vivido pela política do país, ao consumismo e à guerra do Iraque acrescentam uma bem-vinda acidez em um roteiro quase todo doce e suave. Isso mesmo: a história desenvolvida em “Meia-Noite em Paris” é de uma inocência que eu julgava perdida no cinema contemporâneo! Allen, diferente dos pessimismos que vez por outra afloram em suas obras, faz uma apologia à simplicidade da vida e usa Paris como uma metáfora dessa simplicidade. Aliás, os franceses devem estar com uma dívida eterna com o diretor, que fez um dos mais belos retratos de Paris no cinema em décadas. A genialidade da história é tamanha que até mesmo a “volta ao passado” usada no filme, e que parece um aspecto positivo durante boa parte da obra, se transforma em uma crítica à insatisfação das pessoas com suas próprias gerações. Minha única ressalva quanto a isso é que Allen usa uma mensagem de moral meio óbvia no final, o que era desnecessário e maculou, mesmo que minimamente, a perfeição do roteiro.

Que dizer, então, da maravilhosa performance que o elenco mostrou no filme? Até mesmo Owen Wilson, um ator tipicamente meia-boca, eleva-se á grandeza com as situações brilhantes e os diálogos engenhosos do filme! Ele interpreta Gil Pender com absoluto domínio e convencimento, encarnando a personalidade inocente, meio-abobalhada, mas encantadora, de seu personagem. Marion Cotillard, de longe uma das melhores atrizes em atividade “presenteadas” ao mundo pelo continente europeu, vive aqui o seu papel mais apaixonante, sensual e arrasador de sua carreira: Adriana, a amante de Picasso e colírio-dos-olhos de Pender. Que dizer então de Inez e seus parentes e amigos, que vivem em um mundo afetado pela superficialidade? McAdams incorpora uma Inez absolutamente sexy, mas ainda assim tão irritante!

Os aspectos técnicos são um delírio! Paris nunca esteve tão bela, graças à fotografia magistral! As cenas iniciais da cidade já são uma amostra do nirvana visual que Darius Khondji, o diretor de fotografia, compôs para sua obra! Os figurinos e a ambientação da Paris nos anos 20 são convincentes, embora eu não tenha sentido a mesma perfeição que a da fotografia. A trilha sonora, valendo-se de valsas francesas soberbas, não é menos do que encantadora: um destaque ao uso de clássicos de Cole Porter, um dos figurões a aparecerem no filme.

Estou perplexo que um filme hoje em dia possa resgatar os valores mais nobres e singelos do ser humano, encarnando-os em uma viagem paradisíaca pela cidade mais romântica do planeta. “Meia-Noite em Paris” não é somente mais um ponto alto na carreira de Woody Allen; é um dos melhores filmes de sua carreira (e olhe o padrão é um dos mais altos possíveis). Uma dica valiosa: é um filme perfeito, com todo o seu romantismo transbordante, é perfeito para levar a namorada! Garantia de uma sessão inesquecível!

Fonte: Cineplayers


Ficha:
Midnight in Paris (Meia-Noite em París)
Diretor:  Woody Allen
¶ Quatro indicações ao Oscar 2012: Melhor filme  diretor, roteiro  original e direção de arte, .

sábado, 18 de fevereiro de 2012

"A Separação" é um filme que "conta uma história próxima das histórias da gente"


Cena de "A Separação"
Contardo Calligaris

Nas últimas semanas, perdi a conta dos leitores que me encorajaram a comentar "A Separação", de Asghar Farhadi. Para não estragar o prazer de quem ainda não assistiu ao filme, só algumas anotações.


1) Em Teerã, num tribunal, um homem e uma mulher discutem, cada um tentando ganhar a guarda da filha. Eles tinham o sonho comum de ir embora do país (oferecendo à menina, como se diz, um futuro melhor) e já estavam com visto e autorização para viajar, mas eis que o marido desistiu do projeto porque ele deve se ocupar do velho pai, doente e demente. Adiar a viagem é impossível: a autorização que eles conseguiram logo vencerá. A mulher quer se separar do marido, para viajar e levar a filha para o exterior, como planejado. O marido se opõe.

Provavelmente, no lugar do juiz, eu apoiaria o dever para com o velho genitor contra o sonho (quem sabe, frívolo) de um futuro diferente. Esta mulher quer o quê? Enfiar o sogro num asilo só para respirar o ar de Paris ou Nova York? Agora, se, em vez de juiz, eu fosse terapeuta do casal, talvez não me deixasse enternecer pela "nobre" decisão do marido. Afinal, qual melhor desculpa do que um pai doente para justificar nossas desistências? É frequente: a gente "se sacrifica" em nome de obrigações sagradas e tradicionais, e, de fato, esses compromissos nos servem para renegar nossos desejos.

Você também conheceu uma tia que nunca se casou porque "teve que" criar o sobrinho cuja mãe morreu cedo? Ótimo, sobretudo para o sobrinho; mas há uma chance de que esse nobre sacrifício tenha sido o jeito que a tia encontrou para fugir de uma vida amorosa e sexual que ela desejava, mas que ela também sobretudo temia.

2) Aparentemente, é a mulher que, insensível à devoção filial do marido, pede a separação. Alguém poderia suspeitar, aliás, que ela esteja apenas se aproveitando da ocasião para decretar o fim de uma relação que talvez já tenha acabado há tempos. Mas é possível que o verdadeiro responsável pela separação seja o marido: será que a opção de cuidar do velho pai não é o jeito que ele encontrou para forçar a mulher a querer se separar dele? Eu não fiz nada, só "tenho que" honrar meu pai, é você que não me aguenta e é você que quer se separar. É o estilo passivo-agressivo: a iniciativa sempre parece ser do outro.

3) Mesmo se eu não professasse nenhuma ideia oposta às do regime, mesmo se meu desejo sexual fosse integralmente permitido pela polícia dos costumes, eu fugiria de Teerã -apenas por saber que há direções nas quais meus sonhos seriam punidos, caso se aventurassem por lá. Também fugiria de qualquer Irã ou Cuba do mundo porque não tolero ficar num lugar de onde é difícil, se não proibido, sair.

4) O marido não é um santo, mas parece fazer uma escolha generosa: renuncia ao projeto de emigrar por fidelidade ao pai. Mas nunca é fácil saber no que consiste a verdadeira fidelidade. No caso, ela consiste em cuidar do pai demente ou em correr atrás do que ele talvez quisesse para nós? Ou seja, imaginemos que (banalmente) meu pai sonhasse com a minha liberdade: será que eu lhe seria mesmo fiel no dia em que, para assisti-lo, eu renunciasse a meu próprio desejo?

5) O diretor do Ministério da Cultura do Irã declarou à Folha que "A Separação" é "contrário ao sistema político iraniano", o que, segundo ele, seria demonstrado pelo sucesso do filme no Ocidente. Bizarro, entre outras coisas, porque o filme contém uma defesa do islã popular como grande e necessária garantia moral. Seja como for, as ditas plateias ocidentais talvez estejam um pouco cansadas de assistir a visões caricaturais de mundos exóticos, nos quais, graças a alguma tradição, sempre se sabe qual é a coisa certa.

Talvez nós, plateias ocidentais, notoriamente narcisistas, estejamos mais interessadas no cotidiano de nossa própria experiência, ou seja, no conflito nunca resolvido entre as dívidas com nosso passado e as dívidas com nosso futuro. A dívida com o passado pode ser exigente e incômoda (como ocupar-se de um pai demente), mas ela é, por assim dizer, pacífica: estabelecida e tranquila. Enquanto a dívida com o futuro é sempre inquietante, sem resposta: qual será a viagem que devo a mim mesmo?

Caro diretor do Ministério da Cultura do Irã, não gostamos de "A Separação" porque seria anti-iraniano (que não é), mas porque conta uma história próxima das histórias da gente.

Fonte: Folha

Ficha:
The Separation (A Separação)
Diretor:  Asghar Farhadi
¶ Duas indicações ao Oscar 2012: Melhor filme estrangeiro e roteiro original.


domingo, 5 de fevereiro de 2012

Diretor de "O Artista" fala sobre produção e sucesso de seu longa mudo e preto e branco

Jean Dujardin e Bérénice Bejo em cena de "O Artista"
Fernanda Ezabella

A limusine para na frente do casal, na porta do hotel cinco estrelas, em Los Angeles. "Só podem ser estrelas de cinema", diz, tentando adivinhar, um hóspede.

Talvez se não falasse tão alto e não estivesse tão colorida num vestido azul brilhante, seria mais fácil reconhecer Bérénice Bejo, atriz do filme mais improvável e comentado da temporada, mudo e preto e branco.

Ela está ao lado de Michel Hazanavicius, seu marido, que escreveu e dirigiu "O Artista". No longa, o astro do cinema mudo George Valentin (Jean Dujardin) se nega a entrar para os filmes falados, na Hollywood dos anos 20. O ator conta com a ajuda da dançarina Peppy Miller, interpretada por Bejo.

"Fizemos apesar de tudo, apesar do senso comum. Há algo de tocante nisso", diz Hazanavicius, no bar do mesmo hotel, algumas semanas depois. Aos 44, ele é diretor de duas sátiras de espionagem protagonizadas por Dujardin, uma delas rodada no Rio. Leia a entrevista:


*
Folha - Quantas vezes você teve que ouvir que era louco?
Michel Hazanavicius - Muitas vezes, muitas. Quando eu falava sobre o filme, não me levavam a sério, apenas sorriam, mas não aquele sorriso legal, sabe? Quando comecei a trabalhar com Thomas [Langman, produtor], as coisas ficaram mais simples, virou um filme de verdade. Antes era mais fantasia. Acho que nem eu estava totalmente convencido.

Por que escolher, hoje, fazer um filme mudo hoje?
É um formato é incrível, um jeito muito diferente de contar uma história. Não sou especialista, mas amo filmos mudos. Os bons, claro, porque os ruins são realmente chatos, não dá para ver. É uma nova experiência para a plateia de hoje, funciona com outra parte do cérebro. Você preenche a falta de som com sua própria imaginação, faz o filme ficar muito mais próximo do público, que é envolvido no processo de contar história. As pessoas acham que filmes mudos são filmes velhos porque foram feitos nos anos 20. Minha ideia era fazer um filme mudo hoje, mas sem ser velho, mesmo sendo de época, com o benefício de 80 anos de sofisticação de narrativa. Os atores têm uma atuação moderna, com os códigos de hoje e não dos anos 20. O uso da música é moderno, e não apenas um piano simples. Achei que tinha um filme que ninguém tinha feito antes.

O que deu mais trabalho?
O desafio técnico real foi o roteiro. Eu não tinha as mesmas ferramentas. Queria contar uma boa história, com boas sequências e bons personagens. Algo que não entediasse o público, este era o ponto. Mas você não tem as mesmas ferramentas, não lida com diálogos, com palavras, mas apenas imagens para contar a história. É uma grande diferença.

E o que muda para os atores?
Há 68 atores no filme e nenhum deles atuou mudo, de forma silenciosa. Era tudo muito natural. Quando as pessoas pensam em filmes mudos, pensam logo em atuações exageradas. Mas não é verdade. Alguns atores atuavam de forma natural nos anos 20. E aqui pedi para eles agirem de forma bem natural também. A grande diferença é a forma como você escreve a história e como você faz para as pessoas entenderem sem palavras. O público percebe a performance de forma totalmente diferente. Quando não se tem palavras nem diálogos, você presta muito mais atenção nas imagens. Olha para os atores e foca em cada detalhe, em cada expressão. Por exemplo, quando Steven Spielberg faz um filme, você entende tudo com seus olhos, é um diretor muito visual. Tenho certeza de que se tirar o som de seu filme, você vai entender tudo.

Foi mais difícil achar locações dos anos 60 no Rio, quando você filmou "Agente 117 - Rio Não Responde Mais" (2009), ou agora em Los Angeles, quando veio em busca de cenários dos anos 20?
No Rio, dá para encontrar belas arquiteturas dos anos 60 em qualquer lugar. Há prédios muito interessantes no Brasil. E filmamos também em florestas, rios.

Tem uma cena dentro do Copacabana Palace?
Não, o hotel não era muito anos 60, tinha uma arquitetura meio neo grega. Era muito caro também. Filmamos em outro hotel em Copacabana, com uma pequena piscina, um lobby ótimo, o lugar era perfeito. Há também no Rio prédios dos anos 70 e até 80 que são tão estilísticos. E Brasília, claro, filmamos um dia, filmamos aquele prédio do Congresso.

E como foi em Los Angeles?
Aqui foi talvez mais difícil porque era anos 20. Há coisas que não dá para saber se é 1968 ou 1978, dá para aceitar certos prédios, ninguém vai saber. [A estética dos] anos 20 é mais exata e difícil de achar. Mas há muitos interiores e locações que estão em condições perfeitas, como restaurantes e teatros.

O formato diferente mudou seu jeito de filmar?
Normalmente, quando os diretores fazem um filme de época, eles recriam o que estão filmando, mas não recriam o jeito de filmar. O que eu fiz foi recriar o jeito de filmar. As luzes, os frames, o estilo de filmar, tentei respeitar tudo. Meu ponto é: se eu estou fazendo um filme que acontece nos anos 20, não vou usar uma "steadicam" [câmara acoplado ao corpo do operador] ou uma grande angular porque eu nunca vi pessoas nos anos 20 assim. Para mim, a câmera é o olho que você dá ao público. Seria muito estranho uma "steadicam" nos anos 20. Se você respeita o jeito de filmar, fica tudo muito mais preciso.

O que acha de Hollywood gastar tanto em novas tecnologias e um filme como o seu roubar a cena e os prêmios?
Não sei como explicar. Não é meu trabalho. Meu trabalho é fazer filmes e tento dar o meu melhor. Era um filme que queria fazer a qualquer custo, apesar de muita gente. Estou muito feliz com a resposta. Acho que Harvey Weinstein serve para isso, ele é um maestro para apresentar o filme. Há muitos trabalhos maravilhosos todos os anos, e a gente se sente muito sortudo de estar aqui. Ele pegou esse filme, achou que era lindo, cuidou do lançamento, apresentou para a imprensa, levou a festivais, tomou seu tempo. Formou as melhores condições possíveis para o público apreciar o trabalho. Talvez o filme relembre as pessoas porque elas gostam de cinema acima de tudo. Há algo meio infantil, você olha como se fosse pela primeira vez. É uma história "era uma vez", num filme bem estranho, em preto e branco, eles falam e você não ouve. É uma estranha representação da realidade. Não é nada realístico. É um show. Não sei, talvez as pessoas se sintam tocadas porque é um filme muito improvável, que vem de lugar nenhum.

Você se sente um peixe fora d'água nessas premiações?
Não, porque um peixe fora d'água morre [risos]. Me sinto como uma criança na Disneylândia. Olho para todos os lugares e vejo ícones. É realmente incrível. Dois dias atrás tive uma conversa com Meryl Streep e ela foi tão simpática. Ontem alguém me contou que Lauren Bacall viu o filme duas vezes na sequência e, no dia seguinte, viu pela terceira vez. Estas coisas são inacreditáveis.

Sente que está carregando a bandeira da França?
Oh, não, não. Eu realmente não ligo para isso. Não tenho vergonha de ser francês, mas também não tenho orgulho. Eu não tenho bandeiras. Sou diretor de cinema.

Apesar de ser um filme sobre o cinema mudo e falado, qual a mensagem da história para o público de hoje?
As pessoas ficam tocadas pelo formato, mas elas temem que seja apenas um artifício. E ficam felizes de que há uma história por trás. Tem a história de amor e todo mundo ama histórias de amor, mas não é esse o ponto. Há algo sobre como o mundo está girando cada vez mais e mais rápido. No século 19, por exemplo, você nascia num mundo e morria no mesmo, nada quase mudava. Hoje você nasce num mundo e vai morrer num outro muito mais diferente. O jeito de trabalhar, de ter família, o jeito de se comunicar, viajar, tudo está mudando. Isto significa que teremos que enfrentar estes períodos de transições e nos adaptar. Isto é um temor para muita gente. Quando eu era criança, pessoas passavam a vida toda trabalhando na mesma fábrica ou no mesmo escritório. As pessoas têm medo do futuro, das crises. Então talvez isto ressoe no filme. Outra coisa, e digo isto porque muita gente me falou: as pessoas se sentem tocadas pela forma como foi feito. É um filme muito improvável, ninguém acredita no filme. E acho que existe algo tocante nisto, fizemos apesar de tudo, apesar do senso comum.

Dá para comparar o personagem do filme, um ator do cinema mudo que se nega a fazer filmes falados, com atores de hoje hesitantes com processos tecnológicos, como o CGI [imagens geradas por computador através de uma performance real, como em "Avatar"]?
Não sei, acho que não. Sabe, se tivesse que votar para o Oscar, eu votaria em Andy Serkis. Eu amo "Planeta dos Macacos: A Origem". É maravilhoso, muito bem escrito, muito bem trabalhado. E a performance do personagem é inacreditável, faz com que as pessoas acreditem que um macaco possa falar. Mas você pode ter Andy Serkis e Jean Dujardin num filme bem tradicional. É a diversidade do cinema. Um dos dramas do passado é que a geração dos filmes falados nunca voltou para ver os filmes mudos. Então meu único medo é se todas as TVs virassem 3D e ninguém mais assistisse a 2D. Seria uma vergonha. Há tantos filmes maravilhosos. Mas não acho que o futuro irá matar o presente. Será uma continuação.
Os filmes favoritos de Michel Hazanavicius
(clique para ampliar)

Como você começou a ver filmes mudos?
Quando eu era criança, lembro que meu avô me levava com meu irmão para um cinema onde passavam apenas filmes mudos, Charles Chaplin, Buster Keaton e "O Gordo e O Magro". Mas eram mais esquetes de comédia, não filmes tradicionais. Esses eu conheci mais tarde na vida. E quando já era diretor, realmente virou uma fantasia fazer um filme mudo. E preciso dizer que não sou o único. Você não imagina quantos diretores já vieram me dizer que sonham em fazer. Alguns deles estão na corrida pelo Oscar. Mas não vou dizer nomes...

E como faz para encontrar esses filmes hoje em dia?
Esse é o grande benefício da internet, dá para achar de tudo. Na Amazon, por exemplo. Em Paris, temos a Cinemateca, que tem uma programação incrível.

É verdade que seu próximo filme será um remake de "The Search" (1948)?
Não será um remake total. O original se passa na Segunda Guerra Mundial, sobre uma mãe à procura do filho, que por sua vez cruza com um soldado do exército americano. O cenário é a Europa e a Alemanha do pós-guerra. Queremos fazer nos dias de hoje, com outros cenários.

Fonte: Folha Ilustrada


Ficha:
The Artist (O Artista)
Diretor: Michel Hazanavicius 
¶ Dez indicações ao Oscar 2012: Melhor filme, diretor, ator, atriz coadjuvante,  roteiro original, trilha sonora, direção de arte, fotografia, figurino e montagem



terça-feira, 25 de janeiro de 2011

De olho no Oscar 2011 [2] Opinião = O Rei gago vencerá o nerd ladrão?

Cena de "O Discurso do Rei" (The King's Speech)
Escrevo antes de saber quem vai ganhar mais indicações ao Oscar, pois estas sairão hoje, no final da manhã. Mas adianto que não vi nenhuma graça no super-estimado "A Rede Social", filme medíocre sobre como Mark Zuckerberg surrupiou a ideia de dois sujeitos na universidade e criou o hoje quase onipresente Facebook.

O filme da temporada para mim é, de longe, "O Discurso do Rei", de Tom Hooper, seguido de perto pelo thriller aventuresco de Danny Boyle, o aflitivo "127 Horas", história baseada no caso real de um homem que teve de cortar parte do próprio braço para escapar da morte durante uma aventura num canyon nos EUA.

"O Discurso do Rei" teria tudo para agradar mais o público britânico em particular e dizer menos para o resto do mundo. Afinal, já é sabido como os britânicos adoram ver as histórias de sua monarquia na tela. Basta conferir o sucesso do excelente "A Rainha" (2006), de Stephen Frears, que contava o drama pessoal da rainha Elizabeth 2ª durante o episódio da morte de Lady Di. Ou, mais recentemente, o furor com que é acompanhada pela televisão inglesa a série "Tudors". Desde que estreou, em 2007, os ingleses voltaram a debater sua própria história por causa dessa produção. Enquanto aqui se discutem tramas banais como segredo de Gerson, de "Passione", lá as pessoas se perguntaram sobre o verdadeiro legado de Henrique 8º e se Ana Bolena ou Thomas Cromwell mereceram mesmo ser executados. Enquanto isso, na vida real, acompanha-se o romance do príncipe William com Kate Middleton também como um grande evento midiático.

Por essas e por outras o filme de Hooper tinha tudo para ser um sucesso apenas britânico. Mas isso certamente não ocorrerá, pois seus temas são muito mais globais do que podem parecer à primeira vista.

"O Discurso do Rei" conta a história do rei George 6º, pai da rainha Elizabeth 2ª e, portanto, bisavô do príncipe William. Quando o filme começa, Albert (seu verdadeiro nome), ainda Duque de York, é o segundo na linha de sucessão ao trono e tem de falar a uma multidão em um evento público. O resultado é vergonhoso. O tímido príncipe gagueja e o discurso não sai. O desconforto é geral. O papel é interpretado por Colin Firth.

Seu pai, o rei George 5º, está prestes a morrer, e o trono, portanto, seria ocupado pelo irmão mais velho de Albert, Edward. Este, porém, está mais interessado em assuntos mundanos do que virar rei em um período delicado da geopolítica mundial. Estamos em 1936, e a ameaça de um segundo conflito mundial, devido ao fortalecimento do nazismo, é cada vez mais presente.

Morto George 5º, Edward tem um momento de hesitação e decide abdicar para casar-se com uma norte-americana divorciada. Resta a Albert virar rei dos ingleses e líder de seu vasto império de ultramar. Amparado pela mulher Elizabeth (Helena Bonham-Carter) --que conheceríamos até recentemente como a Rainha Mãe (morta em 2002), Albert sobe ao trono, inseguro, titubeante, sem conseguir falar uma frase sem gaguejar, e mortificando-se por isso. Sua nomeação se deu em fins de 1936, e a coroação, em maio de 1937.

Técnicas para curar-se da incômoda gagueira ele já expertimentara todas disponíveis à época, até que cai nas mãos de um terapeuta um tanto alternativo, Lionel Logue (interpretado de modo brilhante por Geoffrey Rush). Albert a princípio não acredita em seus métodos e se mostra desesperançado. Mas, aos poucos, Logue começa a mostrar resultados. Ator frustrado, impõe a seu "paciente" exercícios físicos inusitados, faz Albert cantar e ficar nervoso, vai conseguindo com que, aos poucos, o frágil rei se abra e verbalize seus medos.

Chega, porém, o dia 4 de setembro de 1939, em que George 6º, tem de dar à nação a notícia de que a Inglaterra está de novo em guerra contra a Alemanha. Esse discurso será a prova final de que tem capacidade de liderar o país em tempos turbulentos. E mais do que nunca ele precisa de Logue (quem quiser ouvir o discurso original do rei, a gravação está na íntegra no site oficial do filme:http://www.kingsspeech.com/about.html).

A reconstrução da época é impecável. A Londres deprimida dos anos 30 aparece escura, chuvosa. É uma nação amedrontada pelo fantasma da guerra, da pobreza e do desemprego, mas que começa a desfrutar dos avanços tecnológicos do século 20, como o cinema, e a entusiasmar-se com teatro, musicais e futebol.

O mundo dos súditos da coroa é representado pelo pequeno consultório de Logue. Ali, ele vive com a mulher e dois encantadores filhos adolescentes, que sabem textos clássicos de cor e montam aviões de brinquedo.

Não dá para dizer que se trata de um filme épico, afinal, seu ápice não será uma batalha memorável da guerra ou um fato heroico. É, sim, uma história de superação nada piegas e muito cativante --quem faz análise, por exemplo, verá um pouco de sua relação com seu médico aqui. Revela e explora fragilidades humanas universais.

Os meios ingleses viram no filme uma homenagem ao homem que parecia fraco demais para liderar um país, mas que se mostrou a figura ideal para aquele determinado momento histórico. Em artigo para o "The Observer", Dominic Sandbrook observou: "Quando a guerra começou, em 1939, ele se mostrou um inusitado símbolo de resistência nacional, sua domesticidade, um símbolo daquilo pelo qual a Inglaterra estava lutando. Depois que o Buckingham Palace foi bombardeado em setembro de 1940, suas aparições eram regularmente interrompidas por aplausos da audiência."

A coroa inglesa nos anos 30 governava grande parte do mundo. O Facebook, com seu mais de meio bilhão de usuários hoje parece mais poderoso. Mas eu aposto minhas fichas na história do rei gago em vez de admirar o larápio retratado em "A Rede Social", filme que também em termos de narrativa e edição decepciona.

Mesmo que saia do Oscar sem uma única estatueta, "O Discurso do Rei" já é o grande filme desta temporada.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

De olho no Oscar 2011 [1] - Brasil perde representação no Oscar 2011

O representante do brasil no Oscar 2011 "Lula - O filho do Brasil" está fora do Oscar.

Nesta quarta-feira (19/01), a Academia anunciou os nove filmes que disputam uma vaga para concorrer a uma indicação ao Oscar. Os longas foram selecionados de uma lista original com 66 títulos, entre eles, o filme de Fabio Barreto sobre a trajetória do ex-presidente Lula.

Os indicados serão anunciados na próxima terça-feira, 25/01. Serão cinco concorrentes à estatueta.

Entre os pré-indicados, está o mexicano "Biutiful", de Alejandro Gonzalez Iñarritu, que estreia em São Paulo amanhã.


Veja a lista completa

"Biutiful", de Alejandro Gonzalez Iñarritu, México

"Tambien la Lluvia", de Iciar Bollain, Espanha

"Hors la Loi", de Rachid Bouchareb, Argélia

"Incendies", de Denis Villeneuve, Canadá

"Em um Mundo Melhor", de Susanne Bier, Dinamarca

"Dogtooth", de Yorgos Lanthimos, Grécia

"Confessions", de Tetsuya Nakashima, Japão

"Life, Above All", de Oliver Schmitz, África do Sul

"Simple Simon", de Andreas Ohman, Suécia

Confira trailer de ""Em um Mundo Melhor", de Susanne Bier"  grande vencedor estrangeiro do Globo de Ouro 2011

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Brasileiro prepara projeto internacional com roteiro de vencedor do Oscar

Rodrigo Teixeira em sua produtora

Era agosto de 2009 quando o biógrafo Fernando Morais bateu à porta da editora Companhia das Letras com um problema: o adiantamento para a pesquisa de seu próximo livro, "Os Últimos Soldados da Guerra Fria", havia acabado. 

Uma interrupção por falta de verba seria jogar dois anos de trabalho fora (o livro, a ser lançado em maio, narra a história real de cinco cubanos detidos nos Estados Unidos). Foi então que Luiz Schwarcz, editor da Companhia, sugeriu: "Olha, tem o Rodrigo Teixeira, que compra os direitos de livros para o cinema". 

Dias depois, o acordo estava selado. Por R$ 180 mil (R$ 100 mil pelos direitos e R$ 80 mil para a pesquisa), Teixeira tornou-se dono da futura adaptação, sem que uma única linha estivesse escrita. "Foi a primeira vez que me compraram os direitos antes de o livro existir", diz Morais. 

Dono da produtora RT Features, que fez "O Cheiro do Ralo" (2006), Rodrigo Teixeira, 34, é uma espécie de acionista das letras. Onde um crítico vê uma obra prima, vê um bom negócio. Onde um autor vê uma ideia, vê uma possibilidade de lucro. 

Sua empresa detém os direitos de adaptação de ao menos 30 títulos, dentre os quais "O Filho Eterno", de Cristovão Tezza, "Vale Tudo: o Som e a Fúria de Tim Maia", de Nelson Motta, e "Pornopopéia", de Reinaldo Moraes. 

Teixeira usa a Lei Rouanet para a produção dos filmes, mas não para a aquisição dos direitos. Seu hall de investidores conta com o empresário Eike Batista. 

Internacional
Em 2010, se lançou no mercado internacional com a compra dos quadrinhos "Umbigo Sem Fundo", de Dash Shaw. "Paguei US$ 50 mil (R$ 84 mil). Tenho três anos para fazer o filme." 
Além disso, contratou Julian Fellowes (ganhador do Oscar pelo texto de "Assassinato em Gosford Park", de 2001), para escrever um roteiro, em inglês, para o livro "O Filho da Mãe", de Bernardo Carvalho. 

Teixeira diz já ter desembolsado de R$ 10 mil a R$ 400 mil ("Quanto paguei à família do Tim Maia") em suas aquisições. 

A última foi a biografia, ainda em fase de pesquisa, que o jornalista Lira Neto está preparando sobre Getúlio Vargas. O livro não sai em menos de um ano. Teixeira não se importa: "É como mercado de 'private equity' [modalidade em que grandes empresas investem em menores, ainda não listadas na bolsa, buscando lucro a longo prazo]". 

Cineastas preferidos

Nascido no Rio, Teixeira se mudou há 28 anos para São Paulo, onde vive até hoje. Sua produtora, em uma casa de Higienópolis, é decorada com um pôster em polonês do filme "Apocalypse Now", uma máquina de escrever Remmington e uma matrioska do Tio Patinhas ("Meu personagem favorito"). 

Em 1997, a crise asiática fez com que largasse a faculdade de administração e o trabalho em uma corretora de valores. "Vi que aquilo não era para mim. Mas guardei os contatos com gente do mercado", conta. 

Após ler, em um texto do colunista da Folha Juca Kfouri, que havia escassez de bons livros sobre futebol, inventou o projeto "Camisa 13", em que autores escreviam sobre seus times. 
Em 2004, vendeu o livro sobre o Palmeiras para a família Barreto, que o usaria como base do filme "O Casamento de Romeu e Julieta" (2005). "Paguei R$ 20 mil e vendi por R$ 80 mil. Vi que era isso que eu queria fazer." 

Hoje, orgulha-se de trabalhar com autores como Fernando Morais ("Ler um original dele é um privilégio indescritível") e diretores como Karim Ainouz. 

Dos cineastas nacionais, diz que gostaria de filmar com Walter Salles e Fernando Meirelles. E de fora? "Ah, Martin Scorsese e Woody Allen." Faz uma pausa, e completa: "O problema é que o Woody Allen não aceita fazer filme baseado em livro de ninguém". 

Fonte: Folha

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Balanço 2010 [1] - Os filmes mais pirateados de 2010

A Origem foi o 3° filme mais pirateado

O filme "Avatar" foi o mais pirateado em 2010, de acordo com o site Torrent Freak.

Dados levantados pelo site mostram que "Avatar" foi baixado ilegalmente na internet cerca de 16,5 milhões de vezes.

Em segundo lugar ficou o filme "Kick Ass - Quebrando Tudo", com 11,4 milhões. Em terceiro está "A Origem", com 9,7 milhões.

Veja abaixo a lista completa dos dez filmes mais pirateados de 2010.

1 - "Avatar" (16,5 milhões de downloads)
2 - "Kick Ass - Quebrando Tudo" (11,4 milhões de downloads)
3 - "A Origem" (9,7 milhões de downloads)
4 - "Ilha do Medo" (9,4 milhões de downloads)
5 - "Homem de Ferro 2" (8,8 milhões de downloads)
6 - "Fúria de Titãs" (8 milhões de downloads)
7 - "Green Zone" (7,7 milhões de downloads)
8 - "Sherlock Holmes" (7,1 milhões de downloads)
9 - "Guerra ao Terror" (6,8 milhões de downloads)
10 - "Salt" (6,7 milhões de downloads

Fonte: Folha

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