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quinta-feira, 4 de junho de 2015

Dia dos namorados - Uma história de amor em um campo de concentração nazista

Manhã fria de 1942. Em um campo de concentração nazista, Shimon olha através de uma cerca de arame farpado e vê uma jovem linda como a luz do sol, seu nome é Anne. A garota também o vê e seu coração pula como um cabrito perseguido por um enxame de abelhas. Ela quer expressar seus sentimentos e atira uma maçã vermelha pela cerca. A maçã lhe traz vida, esperança e amor. Shimon a recolhe e um raio de luz ilumina seu mundo obscuro. Ele não dorme aquela noite. O rosto angelical e o sorriso tímido de Anne vêm à sua lembrança.

No dia seguinte, tem uma vontade louca de tornar a vê-la. Aproxima-se outra vez da cerca e, para sua surpresa, vê Anne de novo. Ela aguarda a chegada misteriosa do jovem que tocou seu coração. Ali está ela, com outra maçã vermelha na mão.

Faz muito frio. O vento gelado sopra, produzindo um lamento tris­te. Apesar disso, dois corações se aquecem pelo amor enquanto as ma­çãs atravessam a cerca. O incidente se repete vários dias. Dois jovens, de lados opostos da cerca, buscam um ao outro. Só por um momento. Apenas para trocar olhares ternos. O encontro é chama que arde. O sentimento inexplicá­vel de ambos é o combustível.

Certo dia, ao fim desses momentos doces, Shimon lhe diz com ex­pressão triste:

─ Amanhã não me traga a maçã. Não estarei mais aqui; vou ser en­viada a outro campo de concentração.

Aquela tarde o rapaz vai triste, com o coração partido. Talvez nun­ca mais volte a vê-la.

Desde aquele dia, a imagem linda da doce jovem aparece em sua mente em momentos de tristeza. Seus olhos, as poucas palavras, a maçã vermelha. Para ele, tudo é alegria na tristeza. Sua família morre na guer­ra. Sua vida é quase destruída, mas nos momentos mais difíceis a imagem da jovem de sorriso tímido lhe traz alegria, alento e esperança.

Os anos passam. Um dia, nos Estados Unidos, dois adultos se conhe­cem por acaso em um restaurante. Conversam da vida. Falam de seus en­contros e desencontros.

─ Bem, onde você esteve durante a guerra? - pergunta a mulher.

─ Estive em um campo de concentração na Alemanha - respon­de o homem.
Eu me lembro de que jogava maçãs através da cerca a um jovem que também estava no campo de concentração - recorda a mulher.

Com o coração aos saltos, quase lhe saindo pela boca, o homem balbucia:

─ E este jovem lhe disse um dia: "Amanhã não me traga a maçã, porque que vão me levar para outro campo de concentração"?

─ Sim - ela responde, pressentindo algo maravilhoso. ─Mas como você pode saber isso?
Ele a olha nos olhos, como se olha para uma estrela, e lhe diz:

─ Eu era esse jovem.

Silêncio. Tantas lembranças, tanta saudade, tanta esperança de vol­tar a vê-la! As palavras quase não lhe saem, mas continua:

─ Separaram-me de você um dia, mas nunca perdi a esperança de voltar a vê-la. Quer se casar comigo?
Abraçam-se bem forte, enquanto ela sussurra em seus ouvidos:

─ Sim, claro que sim, mil vezes sim.



Os nomes dos personagens são fictícios, porém a história é real. Em 1996, em um programa de Oprah Winfrey em rede nacional nos EUA, após relato desta história, Shimon disse a Anne: “Você me alimentou em um campo de concentração, me alimentou de esperança ao longo dos anos. Agora eu continuo com fome, mas apenas com fome de seu amor”.
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