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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Brasileiro prepara projeto internacional com roteiro de vencedor do Oscar

Rodrigo Teixeira em sua produtora

Era agosto de 2009 quando o biógrafo Fernando Morais bateu à porta da editora Companhia das Letras com um problema: o adiantamento para a pesquisa de seu próximo livro, "Os Últimos Soldados da Guerra Fria", havia acabado. 

Uma interrupção por falta de verba seria jogar dois anos de trabalho fora (o livro, a ser lançado em maio, narra a história real de cinco cubanos detidos nos Estados Unidos). Foi então que Luiz Schwarcz, editor da Companhia, sugeriu: "Olha, tem o Rodrigo Teixeira, que compra os direitos de livros para o cinema". 

Dias depois, o acordo estava selado. Por R$ 180 mil (R$ 100 mil pelos direitos e R$ 80 mil para a pesquisa), Teixeira tornou-se dono da futura adaptação, sem que uma única linha estivesse escrita. "Foi a primeira vez que me compraram os direitos antes de o livro existir", diz Morais. 

Dono da produtora RT Features, que fez "O Cheiro do Ralo" (2006), Rodrigo Teixeira, 34, é uma espécie de acionista das letras. Onde um crítico vê uma obra prima, vê um bom negócio. Onde um autor vê uma ideia, vê uma possibilidade de lucro. 

Sua empresa detém os direitos de adaptação de ao menos 30 títulos, dentre os quais "O Filho Eterno", de Cristovão Tezza, "Vale Tudo: o Som e a Fúria de Tim Maia", de Nelson Motta, e "Pornopopéia", de Reinaldo Moraes. 

Teixeira usa a Lei Rouanet para a produção dos filmes, mas não para a aquisição dos direitos. Seu hall de investidores conta com o empresário Eike Batista. 

Internacional
Em 2010, se lançou no mercado internacional com a compra dos quadrinhos "Umbigo Sem Fundo", de Dash Shaw. "Paguei US$ 50 mil (R$ 84 mil). Tenho três anos para fazer o filme." 
Além disso, contratou Julian Fellowes (ganhador do Oscar pelo texto de "Assassinato em Gosford Park", de 2001), para escrever um roteiro, em inglês, para o livro "O Filho da Mãe", de Bernardo Carvalho. 

Teixeira diz já ter desembolsado de R$ 10 mil a R$ 400 mil ("Quanto paguei à família do Tim Maia") em suas aquisições. 

A última foi a biografia, ainda em fase de pesquisa, que o jornalista Lira Neto está preparando sobre Getúlio Vargas. O livro não sai em menos de um ano. Teixeira não se importa: "É como mercado de 'private equity' [modalidade em que grandes empresas investem em menores, ainda não listadas na bolsa, buscando lucro a longo prazo]". 

Cineastas preferidos

Nascido no Rio, Teixeira se mudou há 28 anos para São Paulo, onde vive até hoje. Sua produtora, em uma casa de Higienópolis, é decorada com um pôster em polonês do filme "Apocalypse Now", uma máquina de escrever Remmington e uma matrioska do Tio Patinhas ("Meu personagem favorito"). 

Em 1997, a crise asiática fez com que largasse a faculdade de administração e o trabalho em uma corretora de valores. "Vi que aquilo não era para mim. Mas guardei os contatos com gente do mercado", conta. 

Após ler, em um texto do colunista da Folha Juca Kfouri, que havia escassez de bons livros sobre futebol, inventou o projeto "Camisa 13", em que autores escreviam sobre seus times. 
Em 2004, vendeu o livro sobre o Palmeiras para a família Barreto, que o usaria como base do filme "O Casamento de Romeu e Julieta" (2005). "Paguei R$ 20 mil e vendi por R$ 80 mil. Vi que era isso que eu queria fazer." 

Hoje, orgulha-se de trabalhar com autores como Fernando Morais ("Ler um original dele é um privilégio indescritível") e diretores como Karim Ainouz. 

Dos cineastas nacionais, diz que gostaria de filmar com Walter Salles e Fernando Meirelles. E de fora? "Ah, Martin Scorsese e Woody Allen." Faz uma pausa, e completa: "O problema é que o Woody Allen não aceita fazer filme baseado em livro de ninguém". 

Fonte: Folha

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Audiodescrição: as emoções do cinema também para cegos

Confira reportagem da Rede Globo sobre a novidade tecnológica da Audiodescrição, que proporcionará a cegos a oportunidade de sentir as emoções do cinema mesmo sem enxergar a imagem:



segunda-feira, 26 de julho de 2010

Diretor de cinema cego grava seu primeiro filme




João Júlio Antunes ficou cego há 14 anos.
'Uma vela para Deus e outra para Beto' está sendo rodado em Brasília.

Cego há 14 anos, o diretor João Júlio Antunes, 44 anos, dirige seu primeiro filme. O longa "Uma vela para Deus e outra para Beto" está sendo rodado em Brasília. Para ter noção do posicionamento em cena dos atores, Antunes fica atento aos sons e tudo é medido pela inseparável bengala.

“Minha bengala tem 1,30 metro, eu mais ou menos tenho essa noção. As pessoas ficam sem entender como eu meço os espaços”, conta Antunes.

São os diretores e auxiliares da equipe que descrevem para Antunes o que vai ser gravado. “Eu estou criando a imagem do imaginário dele. Eu tenho que entrar na mente dele e ele dizer: ‘Eu quero isso’”, explica o diretor de fotografia Cláudio Luis de Oliveira como funciona a parceria. E desta forma que Antunes consegue realizar seu sonho. “Os olhos dele são os meus olhos”, diz o diretor.

Na memória de Antunes, há um banco de imagens. Entretanto, hoje tudo o que ele consegue ver é um grande branco. A dificuldade para enxergar começou na adolescência. “O médico falou que tinha alguma coisa errada. ‘Até os 45 anos, você vai estar cego’. Eu fiquei cego com 30”.

João e os irmãos têm uma doença chamada retinose pigmentar. Uma das partes do olho é a retina, formada por células que recebem a luz. Na doença, essas células morrem aos poucos. A visão periférica é a primeira a ser comprometida. A retinose pigmentar atinge uma em cada 5 mil pessoas, e em metade dos casos pode passar de uma geração para outra.

"Uma vela para Deus e outra para Beto" está sendo rodado com patrocínio público. A grande inovação do filme é a possibilidade de inclusão de pessoas com deficiência. Se não bastasse o fato de ser dirigido por um cego, o roteiro conta com atriz cadeirante. Quando chegar aos cinemas, haverá descrição falada das cenas para que os deficientes visuais possam assistir, além da linguagem de sinais para surdos. “Mas não é um filme feito pra deficientes. É um filme feito pra todo mundo!”, esclarece o diretor.

Confira reportagem:


Fonte: G1
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