segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Supercontrole - o controle total do governo Kirchner sobre a imprensa



 Sylvia Colombo

A aprovação da lei que praticamente estatiza a produção e a distribuição de papel-jornal na Argentina foi a ação mais vistosa do novo governo da presidente Cristina Kirchner, que teve início no último dia 10 de dezembro.

Mas a lei do papel-jornal é apenas uma entre um pacote de medidas aprovadas a toque de caixa pelo Congresso nesses últimos dias do ano.

A Câmara de Deputados e o Senado, agora com maioria kirchnerista, aprovaram em tempo recorde para tempos de democracia um pacote de seis leis em apenas onze dias.

A oposição contesta, diz que o tempo foi muito exíguo para tratar de assuntos tão sensíveis, que precisariam de mais discussão. Senadores que acabavam de iniciar seus mandatos, e que não tiveram chance de estudar os temas, já tiveram de tomar decisões com relação a eles. Mas o fato é que todas as leis já estão valendo.

Entre as mais polêmicas, além da lei do papel-jornal, estão a Lei de Terras, que limita a compra destas por parte de estrangeiros, a Lei do Peão Rural, que transfere o registro de trabalhadores rurais de grêmios para o Estado, e a Lei Antiterrorista, para punir o financiamento de práticas terroristas.

A Lei Antiterrorista também poderá ser aplicada contra os meios de comunicação, caso um juiz entenda que uma notícia sobre a economia assuste a população a ponto de fazer com que as pessoas corram para comprar dólares, provocando fuga de capitais. Ou se concluir que uma denúncia sobre corrupção ou outro fato político "assuste" as pessoas e afete a governabilidade do país.

O que ficou nítido ao assistir a maratona dos senadores no período pré-natalino é que o governo quis aproveitar a ampla vantagem eleitoral para aprovar suas prioridades, antes que os ventos da crise global possam começar a abalar e economia e ameaçar a popularidade de Cristina.

A dinâmica das votações expôs a polarização entre kirchneristas e não-kirchneristas. Enquanto a oposição fazia longos discursos e tentava evitar a aprovação tão rápida das medidas, os governistas simplesmente votavam, com poucas palavras.

Todas as leis aprovadas geram a mesma preocupação. O que o governo vinha anunciando como "profundização do modelo" é, na verdade, um aumento do poder de ingerência do Estado na política e na economia.

Também causa preocupação o fato de o Congresso responder de forma tão automática aos pedidos da presidente, sem discutir apropriadamente os assuntos. Mais um sinal da fragilidade institucional que o país vive hoje, em que esses plenários estão completamente submetidos à vontade da presidente.

Se essa última quinzena do ano for uma amostra do que virá por aí, o país viverá tempos de maior controle da política e da economia e de uma centralização ainda maior de decisões em distintas áreas.

Fonte: Folha

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Foi-se um gênio criativo




Um gênio criativo não pode ser treinado. Não existem escolas para criatividade. Um gênio é precisamente um homem que desafia todas as escolas e regras, que se desvia dos caminhos tradicionais da rotina e abre novos caminhos através de terras inacessíveis antes. Um gênio é sempre um professor, nunca um aluno; ele é sempre feito por si mesmo. ”

Ludwig von Mises

quinta-feira, 10 de março de 2011

Crônica: Orgulho? De que?


Giul Cavasin

“Acabou nosso carnaval / Ninguém ouve cantar canções/ Ninguém passa mais brincando feliz”.

É, agora ninguém mais brinca de ser rei ou rainha, menestrel ou jogralesa.

Todo mundo abaixa a cabeça diante do peso da realidade.
Ninguém mais joga confetes nem serpentinas para dar mais brilho ao baile de carnaval.
Todos voltam a reclamar das coisas cotidianas, falar que tudo é culpa do governo, tomar conta da vida alheia... Todos voltam a prestar atenção nas coisas que realmente precisam de atenção.

Na quarta-feira, todos voltam ao trabalho, quer estejamos bem ou não. Mas o Brasil só volta mesmo na quinta, com exceção da Bahia, que tem um carnaval por ano e dura o ano todo.
Acabado esse samba todo, esse axé, esse funk, entre outros ritmos que se toca nas festas de carnaval, onde fica o nosso orgulho de sermos brasileiros?

Pois, claro que o Brasil se orgulha de ser reconhecido mundialmente como “país do carnaval”, “país do futebol”. ... 
Talvez também devesse se orgulhar por ser 16° no ranking de avanços na educação (quando sabemos que o país tem potencial para fazer mais), 24° lugar entre 119 países que sofrem com o problema da fome, 70° colocado entre 163 países que também possuem políticos corruptos.
Somos 35° colocados em atuação ambiental... Depois reclamam que vão perder a Amazônia, que todo mundo vai ficar sem água, sem ar, sem planta... Sem vida!

“A tristeza que a gente tem / Qualquer dia vai se acabar”.(...) “Porque são tantas coisas azuis / E há tão grandes promessas de luz”, que, mesmo o povo ainda vivendo na escuridão, todo mundo brinca o carnaval e acha lindo! 

Será que ainda temos esperança de um país melhor? Um país que sofre com tantas doenças sociais e investe milhões em escolas de samba e desfiles de carnaval?
Sabe, acho que a Marcha da quarta-feira de cinzas só vem nos mostrar o que o país passa o ano todo e todos, inclusive autoridades, enxergam esses problemas uma vez por ano: Quando acaba o carnaval. 
Afinal, eles não têm tempo de pensar nessas coisas... Precisam preparar o país para a chagada do coelhinho da páscoa, depois, para a festa de São João, depois, para a festa de  Aparecida, e depois... Para que se preocupar, já acabou o ano mesmo...

Um país que tem uma administração baseada em festas, só pode ser país do carnaval!

Giul Cavasin é blogueira, professora de língua e literatura portuguesa e inglesa.e colaboradora do Texto & Contexto
Conheça o blog da Giul: Noias e Tramoias

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