sexta-feira, 9 de março de 2012

Quando éramos modernos: anúncios de livros em 1944


Josélia Aguiar

Instantâneos da vida literária no país há sete décadas: Para o leitor moderno, Dickens condensado. Os russos estavam em alta naqueles dias pois lutavam contra o nazismo. Biografias iam muito bem –além dessa vida exuberante de Olavo Bilac, abaixo, encontrei mais de uma dezena. Romances atravessam má fase, mas alguns autores da geração de 30, como Jorge Amado, principalmente, ainda vendiam bastante. Nelson Rodrigues aparece como ele mesmo e como Suzana Flagg!

Vi estes anúncios em edições de 1944 da “Diretrizes”, revista de esquerda fundada por Samuel Wainer feita e lida por intelectuais e artistas de variados matizes.  Naquele ano parou de circular, depois de publicar uma reportagem que desagradou Getúlio. Mas aí a história só estava começando.






Fonte: Livros Etc

quinta-feira, 8 de março de 2012

"Os cães de Santiago" - um memorial diário de reflexões sobre literatura, cinema e afins



Sidnei Moura, editor do "Texto & Contexto"

Impelida pelo prazer em escrever desde a tenra idade, ela tornou-se desde muito cedo "escrava das letras". Ainda não satisfeita, decidiu que sua vida seria totalmente dedicada a sua "senhora": buscou formação bem fundamentada na universidade e passo a passo foi alcançando maturidade chegando ao seu sonhado doutoramento. Tornou-se professora nos níveis fundamental, médio e superior e nos dias de hoje colabora na formação de diversos alunos, inspirando outros amantes das Letras a aprofundarem=se ainda mais nas mais profundas águas do conhecimento literário e linguístico. 

No entanto seu encanto com as Letras não pararam por aí - como ela mesma afirma, em algum "canto" dentro de sí apesar dos muitos desencantos que normalmente perpassam a vida dos que decidem dedicar-se a um propósito específico, o impulso inicial que a levou a beber abundantemente destas águas ainda respira e clama por um amadurecimento maior e por uma atitude de contribuição àqueles que, mesmo a espreita, aguardam por uma abordagem direta de quem a tempos sente a necessidade de verbalizar seus pensamentos sobre os mais variados temas passando pela literatura, pelos textos de análise psicanalíticas, filmes e tudo que trate da questão da desumanidade dos humanos ou humanidade dos não-humanos, inclusive quando tais protagonistas sejam verdadeiramente humanos. Ela começou escrevendo nas redes sociais, tem propósitos relacionados a um futuro pós-doutoramento na área e após uma viagem ao Chile repleta de reflexões sobre a vida chegou a conclusão de que o título "Os cães de Santiago" daria um belo título - fosse para o que fosse, inclusive para um romance ainda não escrito.

Assim nasceu o blog "Os cães de Santiago" - um blog que tem por propósito (como a própria editora define) refletir sobre suas "leituras matinais, o flanar pelas informações culturais, os pitacos no comportamento alheio, as dicas de filmes, os poemas preferidos, as canções e imagens que tocam, enfim, tudo o que vinha circulando nos últimos três anos no perfil do Facebook" da editora, a Profª Drº Sheila Pelegri de Sá. Trata-se de um compêndio de "Efemérides para o comum dos dias", Mas não se iluda com a descrição - trata-se de um compêndio muito além de um mero memorial diário. Basta ler e tirar suas próprias conclusões.



Conheça o blog "Os cães de Santiago"


segunda-feira, 5 de março de 2012

Tereza Cristina: uma vilã de desenho animado

Tony Goes

Tereza Cristina e Crô
Gilberto Braga é meu autor de novela favorito. Hoje em dia ele escreve em parceria com Ricardo Linhares e mais um monte de colaboradores, mas a força de sua grife é enorme: basta seu nome estar na equipe para que uma novela se torne "de Gilberto Braga".Mesmo assim, demorei a me interessar por "Insensato Coração" (Globo). Achei os primeiros capítulos confusos e com um excesso de tramas paralelas.

Só fui me interessar para valer lá pela metade, quando Norma (Glória Pires) saiu da prisão e começou a executar sua vingança. No final, desmarcava compromissos só para ficar em casa e não perder um único capítulo.Gostei tanto que, quando "Insensato" finalmente acabou, foi com a maior das más vontades que comecei a ver "Fina Estampa". Achei frouxa a trama de Aguinaldo Silva, com personagens desinteressantes e ausência de grandes conflitos.

Mas o público não concordou comigo. "Fina Estampa" logo se firmou como o maior sucesso do horário nos últimos anos. O povão se identificou com o embate entre a pobre-porém-honesta e a pérfida grã-fina, um dos clichês mais clássicos do folhetim.

Agora "Fina Estampa" entra em sua reta final, e preciso confessar que minha antipatia diminuiu. Tudo por causa da Tereza Cristina: uma antagonista totalmente sem motivação para cometer maldades, que se mete em trapalhadas mas nunca perde a pose. Uma vilã de desenho animado, como bem alertou o autor.

Os golpes planejados pela perua interpretada por Christiane Torloni são dignos do coiote que perseguia o Bip-Bip: elaboradíssimos, com enormes chances de dar errado --e muitas vezes dão. Só faltam vir em caixas estampadas com a marca "Acme".Além do mais, a relação com o mordomo Crô (Marcelo Serrado) evoluiu para diálogos que lembram as melhores "sitcoms" americanas.

Nesse ponto, o contraste com "Insensato Coração" é total. Lá havia um núcleo dramático barra-pesada, centrado em Norma e Leo (Gabriel Braga Nunes), cercado por leves historinhas de amor. Em "Fina Estampa" acontece o contrário: a malvada também fornece alívio cômico, deixando os temas mais pesados (doença terminal, luta pela guarda de um bebê) para os personagens secundários.

Aguinaldo Silva já emitiu sinais de que Tereza Cristina não morrerá no final --ao contrário de sua antepassada direta, a Nazaré Tedesco (Renata Sorrah) de "Senhora do Destino". Tomara: eu não ficaria triste se, terminada "Fina Estampa", a "rainha do Nilo" e seu fiel escudeiro Crô ganhassem um programa próprio.

Fonte: F5

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...