quarta-feira, 4 de abril de 2012

Com quase 4 livros por habitante, São Carlos supera índice internacional


A Casa da Cultura em São Carlos
abriga a Biblioteca Pública Municipal
A cidade de São Carlos ultrapassou o índice da Federação Internacional das Associações Bibliotecárias, que prevê que as bibliotecas públicas ofereçam, no mínimo, de 1,5 a 2,5 livros por habitante. O município é reconhecido no cenário brasileiro por seu alto desenvolvimento tecnológico e o conhecimento acadêmico oriundos de suas universidades (UFSCar e USP) e centos de pesquisa (duas unidades da Embrapa e dois parques tecnológicos). Livros e bibliotecas não poderiam faltar em uma cidade que respira educação.

Em 2010, São Carlos foi apontada como a 5ª cidade do país em bibliotecas por habitante, segundo ranking realizado pela Fundação Getúlio Vargas a pedido do Ministério da Educação, no 1º Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais. Agora, um levantamento da prefeitura de São Carlos mostra que a população conta com um acervo de cerca de 850 mil livros à disposição (exatos 844.610 livros). Isso equivale a 3,8 livros por habitante (221 mil moradores segundo o IBGE 2010).

Segundo o estudo Guidelines for Public Libraries (Orientações para Bibliotecas Públicas), elaborado pela Federação Internacional das Associações Bibliotecárias (IFLA, da sigla em inglês) em 2000 e reeditado em 2001, as bibliotecas públicas devem oferecer, no mínimo, de 1,5 a 2,5 livros per capita.

Em São Carlos, os livros que podem ser retirados - e levados para casa - são em número menor, 2,2 livros/pessoa, porém dentro da orientação da Ifla. Entre as bibliotecas em que qualquer pessoa da comunidade pode se cadastrar e fazer a retirada de livros estão a biblioteca da Unicep com um acervo de aproximadamente 76 mil livros; a Biblioteca Comunitária da UFSCar com acervo de 241.563 livros; as Bibliotecas Municipais e das Escolas do Futuro, com acervo de 164 mil livros; e a do Centro de Divulgação Cientifica e Cultural (CDCC) da USP São Carlos, com 19 mil volumes.

Além destas, as bibliotecas locais da USP (bibliotecas da Escola de Engenharia de São Carlos, do Instituto de Física de São Carlos, do Instituto de Ciências Matemáticas e da Computação, e do Instituto de Química de São Carlos) disponibilizam o acervo para consulta a qualquer cidadão e empréstimos apenas para os estudantes da universidade. As bibliotecas da USP têm, juntas, aproximadamente 376 mil livros.

Entre as empresas da cidade, a Tecumseh do Brasil mantém a biblioteca Ítalo Savelli com acervo disponível para funcionários e familiares com aproximadamente 7.800 livros.

Biblioteca Inclusiva

A cidade de São Carlos também se destaca por oferecer um acervo diferenciado de 3.197 livros em Braille que podem ser encontrados no Espaço Braille (2 mil livros) e biblioteca Comunitária da UFSCar (com outros 1.119 livros). No Espaço Braille é possível encontrar literatura diversificada para pessoas com deficiência visual, que vão desde literatura infanto-juvenil até temas mais complexos como medicina e saúde. Estes usuários também conseguem, através do Espaço Braille, ter acesso a autores consagrados como Mário Quintana, Eça de Queiroz e Carlos Drummond de Andrade entre outros.

Fonte: São Carlos Agora
Imagem: São Carlos em imagens

terça-feira, 3 de abril de 2012

Araraquara, SP, ganha bicicleta que oferece livros a moradores de rua



Bicicloteca já existe em diversas comunidades brasileiras e outros países.
Veículo foi doado à cidade por ex-morador de rua e presidente de ONG.

Moradores de rua e toda a população de Araraquara, no interior de São Paulo, passarão a fazer parte de um movimento cultural independente: a Bicicloteca. A biblioteca itinerante já existe em diversas comunidades brasileiras e em outros países atendendo pessoas sem acesso à leitura com uma bicicleta como veículo para o transporte dos livros.

Uma dessas bicicletas foi doada à cidade pelo presidente do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo Robson Mendonça. “Basta a cidade arcar com as despesas de buscá-la em São Paulo.” Mendonça viveu nas ruas por seis anos e com a ajuda do Instituto Mobilidade Verde desenvolveu o projeto na capital. Trata-se de um triciclo com capacidade para 150 kg de livros para facilitar o trabalho das comunidades que já atuam com cultura e inclusão social através da leitura.

O prefeito Marcelo Barbieri (PMDB) surpreendeu-se com a iniciativa e prometeu pegar a bicicleta assim que possível. “Ela ficará em algum de nossos locais que atendem moradores de rua e poderá ser operada por eles mesmos, será com certeza muito produtivo.”

História

Robson Mendonça conta que durante os seis anos que viveu nas ruas sempre procurou a leitura como base. “O conhecimento é a única maneira que essas pessoas têm de conseguir sair dessa situação.” Ele observa ainda que a maioria dos moradores de rua não é analfabeta. “É um grande indício de que com apenas um pouco de esforço e ajuda todos podem sair dessa. Conheci um homem nas ruas que hoje estuda Direito”, relata Mendonça.

No entanto, o acesso à leitura e o preconceito são o maior dos problemas segundo ele. “Lembro de todas as vezes que tentei frequentar a biblioteca, mesmo quando eu estava de banho tomado, as pessoas sempre saiam de perto, é muito triste.”

Com a iniciativa da Bicicloteca, Mendonça afirma que a leitura pode ir até as pessoas, inclusive a quem não vive nas ruas. “O projeto não é restrito a moradores de rua e pode atingir pessoas que passam diariamente por nós na correria do dia a dia e acabam não tendo tempo de frequentar uma livraria ou biblioteca, dá muito certo”, finaliza.

Fonte: G1
Imagem: Blog da Inajá
Conheça o projeto Bicicloteca

quarta-feira, 28 de março de 2012

Millôr Fernandes: "Poetas quando morrem são fertilizantes"






Poetas são Gente

Eu vivo pra poesia mas poetas não vivem pra mim. 
Espero que eles me alimentem como a um coelho faminto. Eles não sabem disso. 
É melhor mesmo que não percebam o quanto são necessários. 
De outro modo seríamos ultrapassados por eles e eles não saberiam quando parar. 
Um excesso de poetas não seria uma boa idéia pro nosso mundo. Nosso mundo necessita apenas de um certo número. Embora isso ainda não tenha sido atingido é importante que a poesia seja controlada.

Eu sei. Tenho observado poetas vagabundeando por aí, esperando o momento de atacar. É pior do que haker atacando. Uma visão horrível. A pessoa atacada correrá pela rua gritando. Pode até amaldiçoar o sistema, e fugir de casa levando sua filha com ele. 
Poemas têm um jeito de infeccionar os pobres idiotas que os escrevem. 
Poetas ficam em silêncio durante conversações, esperando uma brecha. 
Subitamente, sem aviso, um poeta falará uma sentença que acabou de pensar, e aqueles em volta gritarão como que atingidos por um curto-circuito.

Você gostaria que isso acontecesse freqüentemente? Levaria meses pra se voltar a qualquer aparência de normalidade. Isso pode ser uma boa de vez em quando, como mudança. Mas pára um momento e procura imaginar o pessoal do governo de Sua Majestade todos os dias fazer suas transmissões, como faz, mas cada uma ser um poderoso poeta. 
A confusão seria indescritível. A nação ia parar nos trilhos e colher flores pros vizinhos. Carros iriam se abalroar no tráfego pros motoristas saltarem e apertarem as mãos. Greves seriam desnecessárias pois ninguém trabalharia. A vida seria boa demais pra se perder. Cada dia seria vivido sem plano e cada momento saboreado como vinho novo. Cada pôr-do-sol seria uma revelação e uma promessa pra amanhã.

Todo mundo faria amor. Mesmo os doentes. 
Melhor seria os poetas não usarem palavras. Melhor que nascessem mudos. Melhor que cortasssem as línguas, se falassem. E melhor ainda, se pensassem, ficassem em silêncio. Deus nos proteja de suas invocações ferozes, pelo menos até termos tempo de praticar exercícios de poetas mortos, pra estarmos em forma a fim de tentar hoje outra vez. 
Poetas não percebem.
Enquanto vivem são eras daninhas. 
Quando morrem são fertilizantes.

1922 - 2012
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